• Vilmar Bueno, o ESPETO

Desenvolvimento e gestão adequadas são a base para preservação



Foto: Divulgação/MSM Imagens Aéreas
Cascata do Salto do Caveiras, em Lages, na Serra Catarinense

Estado/SC.

Dia Mundial da Água alerta para importância do uso racional deste recurso esgotável, que ainda é alvo de grande desperdício


O Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, foi instituído em 1993 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data foi criada para incentivar o debate sobre a preservação da água, um recurso esgotável, e para mostrar a necessidade do uso racional dela por toda sociedade. Quase 20 anos após a criação da data, o debate se faz cada vez mais importante frente aos desafios causados pelas mudanças climáticas.

O Brasil detém 12% de toda a água doce potável do mundo. Entretanto, o país desperdiça 39,2% da água potável captada. Ou seja, quase 40% da água doce não chega às casas de brasileiros. Os dados são do Instituto Trata Brasil e fazem parte de um estudo feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2019.

O professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), William Gerson Matias, alerta também para o processo de contaminação das águas. Ele explica que, até os anos 80, a avaliação de qualidade da água era ligada apenas ao lixo orgânico, entretanto, hoje precisa considerar contaminantes que ainda não têm regulação, como fármacos e pesticidas. "Ainda vai levar um tempo porque não tem pesquisa suficiente para dizer os valores máximos permitidos e essas substâncias começam a ter uma influência muito grande dentro do nosso contexto social e ambiental".

Legislação

Santa Catarina lançou, em 2018, o Plano Estadual de Recursos Hídricos. O documento é um guia para compatibilização do uso e da gestão das águas superficiais e subterrâneas de Santa Catarina para os próximos dez anos. Entre as propostas apresentadas estão a melhoria no saneamento básico, a otimização do uso da água em atividades agrícolas e na indústria, e a gestão de reservatórios e barragens.

No âmbito nacional, o Congresso aprovou, em 2020, o Marco Nacional do Saneamento. O documento prevê a universalização do saneamento básico no país até 2023, para disponibilizar água potável para 99% da população brasileira e, pelo menos, 90% de tratamento de água e esgoto. Atualmente, segundo o Trata Brasil, 84% dos brasileiros são atendidos com água tratada.

Matias pontua que a qualidade da água para abastecimento é fundamental. "Quando falamos do ciclo hidrológico que está sendo alterado a todo instante, a partir do momento que se retira a água de qualidade, trata essa água e distribui para o consumo humano, o ser humano transforma a água potável e residual e vai pro sistema de tratamento. Ela volta pro meio ambiente com uma qualidade inferior, independentemente do tipo de tratamento. Precisamos trabalhar em um desenvolvimento mais adequado em relação a essa questão ligada a esses novos contaminantes", finaliza o professor.

Fonte: Fernanda Kleinebing e Núbia Garcia | Agência Adjori/SC de jornalismo