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  • Vilmar Bueno, o ESPETO

Coletivos Rainha apresenta dados aos vereadores



São Bento do Sul

No final da tarde desta segunda-feira, 19, os vereadores estiveram reunidos de forma virtual com o gerente da Transportes Coletivos Rainha, Flavio Lima, que apresentou o quadro atual dos transportes coletivos no município.


Flávio iniciou a reunião mostrando os números dos usuários dos coletivos. Seguindo ele, antes da pandemia, 67% dos usuários vinham das empresas locais, 19% da prefeitura, através principalmente do transporte de alunos, 11% dos passes distribuídos à idosos, cadeirantes, e outros, “porém esses passes não são gratuitos, quem paga são os demais usuários dos coletivos”, citou Flávio, e 3% são os passes individuais, quando o usuário paga pelo transporte na hora do embarque.


Agora, com a pandemia, 81% dos usuários vem das empresas, 10% da prefeitura, 7% gratuitos e 2% são os individuais. Porém, o número de usuários teve uma queda significativa com o início da pandemia. De março de 2019 a fevereiro de 2020, ou seja, antes de iniciar a pandemia, foram 262 mil usuários no transporte coletivo. E de março de 2020 a fevereiro de 2021, esse número caiu para 94 mil usuários. “Antes da pandemia, eram 5,12% da população utilizando no transporte coletivo, e agora, esse número caiu para 1,84% da população”, lamentou Flávio.


Ele destacou ainda que atualmente tem uma média de 33 pessoas/dia que adquirem os passes, pois além da queda dos usuários devido ao início da pandemia, ainda existe o decreto estadual que prevê uma lotação máxima de 50% da capacidade dos ônibus. Com tudo isso, a média de passageiros por viagem é de 12 passageiros. “Nossa média de ociosidade é de cerca de 85%”, revelou Flávio. Segundo ele, o custo médio da empresa é de R$ 6,80 a cada quilômetro rodado, e com essa média de passageiros, a empresa recebe somente R$ 1.16 por km rodado, pois as tarifas estão com os valores defasados.


Flávio ainda destacou que a licitação que deve ocorrer para a cessão do transporte coletivo no município prevê que apenas ônibus grandes poderão fazer o transporte coletivo, ou seja, não será possível utilizar micro-ônibus ou vans para o transporte coletivo, “o que inviabiliza o transporte coletivo no município”, revelou.


Transporte irregular

Flávio também falou sobre o transporte irregular existente no município, feito por vans particulares, motoristas de aplicativos, que ainda não estão regularizados em São Bento do Sul. Ele citou que existem hoje cerca de 6 vezes mais ônibus e vans fazendo o transporte irregular do que frota de transporte coletivo.


Flávio citou ainda que existem quase 63 mil veículos em São Bento do Sul, para uma população estimada em 56 mil pessoas entre 18 a 75 anos, “ou seja, temos 1,12 carros para cada motorista, em média”, afirmou. “Hoje posso afirmar que o transporte coletivo no município não é mais viável, da forma que se encontra”, revelou.


A vereadora Zuleica Voltolini questionou sobre a lotação máxima dos veículos, e foi informada que hoje os ônibus só podem circular com 50% da capacidade, e que isso vem gerando diversos problemas aos motoristas, “pois se o ônibus para em um ponto para embarque e o motorista vê que a capacidade do ônibus chegou aos 50% ele tem que deixar os demais passageiros no ponto, o que gera muita discussão entre os que não podem embarcar”, afirmou Flávio.


Já o vereador Luiz Neri Pereira perguntou sobre a qualidade dos ônibus. Flávio informou que a empresa só pode adquirir novos veículos se as tarifas forem reajustadas nos percentuais solicitados, “mas sempre que apresentamos a planilha aos prefeitos, é solicitada a redução do índice de reajuste, então em algum lugar essa diferença cairá e normalmente é na aquisição de novos veículos”, frisou Flávio. Ele lembrou que a média de idade da frota atual é de 12 anos.


E a vereadora Carla Hofmann questionou Flávio sobre a redução de algumas rotas dos ônibus. Flávio explicou que essas redução teve que ser feita devido ao não reajuste das passagens no ano passado, e a queda do número de usuários por conta da pandemia, “e isso faz parte de um acordo firmado entre o poder público e a empresa Coletivos Rainha”, finalizou Flávio.